Japoneses Preferem Bonecas

Os dois lados dizem “alô?”. Lá, para afinar o violão:

Maio 8, 2008 · Comments Off

London Bridge is falling down,
Falling down, falling down.
London Bridge is falling down,
My fair lady.

Take a key and lock her up,
Lock her up, lock her up.
Take a key and lock her up,
My fair lady.

How will we build it up,
Build it up, build it up,
How will we build it up,
My fair lady?

“É melhor ler a previsão do tempo antes de rezar por chuva”.
Mark Twain.

“O inferno é para onde os covardes enviaram os heróis”.
Lemuel K. Washburn, no livro “Vale A Pena Ler A Bíblia E Outros Ensaios”.

“E Deus fez o macaco, a sua imagem e semelhança”.
Dr. Zaius, no filme “O Planeta dos Macacos”.

[cortesia de a.a.m.]

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Enquanto isso, na geriatria.

Abril 23, 2008 · Comments Off

Quando minha mãe resolveu participar da indústria pornográfica, eu achei, como qualquer ser humano, um absurdo. No dia seguinte, descobri que era pra indústria geriátrica. Certo, ela sabia o que se passava nos bastidores das mentes daqueles bons velhinhos, os quais sempre me foram gentis em sua lentidão, suas boas e longas histórias, algumas sem nexo, mas nem por isso menos interessantes.

Esqueci: minha mãe era diretora de um estabelecimento que cuidava de pessoas na boa idade. Eu fazia trabalho voluntário todas as quartas no fim da tarde, depois da faculdade. Aprendi muito com aqueles velhos. Porém, quando minha mãe anunciou tal decisão, passei a detestá-los a ponto de querer chutá-los nas paradas de ônibus, tinha ânsia de empurrá-los pra faixa de segurança, de esfregar a baba deles nos rostos enrugados.

- Você sabe o quanto irá ganhar?
- Meu filho, – prestem atenção na resposta da minha mãe: - o dinheiro não é o mais importante nessa vida, sabia?

Minha mãe era respeitada no meio acadêmico, dera aula na faculdade de medicina durante 12 anos, no quais foi aclamada (pelo menos é o que dizem…) Contudo, sempre achei que sua realização pessoal estava na administração daquela casa geriátrica. Mas não, mamãe também tem sonhos. Mamãe era boa, cuidadosa comigo. Com todos.

Ela percebera o seguinte, os idosos ainda viviam no mundo real. Observação leviana? Não. Minha mãe acreditava que a melhor forma de ajudar o idoso era tratando-o como um ser do mundo real, e não como um abobado que só joga a bola pro colega velho que nem pegar consegue.

Eu sabia que os maiores problemas dos idosos eram: imobilidade, insuficiência cognitiva, iatrogenia, instabilidade e quedas, incontinência, delírio, demência e depressão. O que ela queria? Atacar o mal pela raiz. Apresentou seu projeto num congresso na Espanha, um plano de melhoria de vida para os velhos, o qual foi aplaudido. Em vez de assistirem as idiotices da TV, veriam filmes pornôs.

Bem… não veriam qualquer tipo de filme pornô. Os filmes teriam um contexto pensado, um tratamento pra eles, velhos. Haveria um esforço em definir as montagens de cena. Cenas adequadas para velhos! Isso não só para ajudar a depreensão cognitiva da parte dos idosos, como também para colocar em cena suas fantasias, seus desejos. Dessa forma, deixaria a cabeça dos babões funcionando, como as nossas.

Mas não era qualquer atriz quem poderia contracenar e pensar a obra. Não era pornografia, na verdade, nem arte, mas saúde. E isso me dava agonia.

Quando explicou – depois da milésima conversa – que fazia aquilo pelos velhos, tive vontade de gritar, mas minha mãe me ensinou a ser contido. Tentei conversar. Porém, no fim, gritei. Mandei minha mãe se foder. Virei as costas rumo ao meu quarto. Lá, atentei à ambigüidade. Ela disse do outro lado da porta, sem gritar, que não se importava com que eu visse os filmes.

Depois dessa frase, resolvi esquecer o assunto, mas não teve como.

Certo dia, sete meses depois, na clínica onde eu trabalhara de voluntário, os velhinhos estavam assistindo a um filme fora do catálogo que lhes era dado. Um filme contrabandeado por um dos enfermeiros. Minha mãe pediu demissão.

[cortesia de f.n.]

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Exercício Narrativo Bizarro

Abril 11, 2008 · Comments Off

Então é isto:

“Aqui jaz quem daqui tanto escapou
Que só agora não escape mais”.

Ele estava deitado de bruços, respirando pausadamente, os pulmões enchendo-se de ar debaixo dos seus quase 100 quilogramas. Mantinha os olhos abertos, apesar das ordens a fim de que os fechasse: sustentava a guarda levantada, tentando enxergar, com os cantos dos olhos, o que acontecia as suas costas. Os braços pendiam, um a cada lado da cama de solteiro, as pernas haviam sido afastadas, o suficiente para que uma mulher pequena coubesse no vão entre elas. Havia uma Mulher Pequena no vão entre elas. Ambos estariam nus, não fosse pelo avental desatado que a Mulher Pequena vestia.

A cena descrita inseria-se no Universo pelo simples motivo de que se passava em determinado lugar, em determinado espaço de tempo: um quarto pequeno, um dia de verão. O quarto contava com uma janela sem cortina, um armário, uma mesa… poucos objetos pessoais esparramados sobre essa mesa, um binóculo, uma caixa de fósforos, um rolo de fita adesiva, um maço de cigarros, um copo com dois dedos d’água; pelo chão, algumas peças de roupa confusas, chumaços de fios de cabelo, pedaços de papel higiênico rasgado. O ambiente estava impregnado por um cheiro misturado de fumo, sabonete e canela.

A Mulher Pequena, sentada sobre as pernas, em meio às pernas dEle, esfregava as mãos uma à outra. Tinha o semblante sério, as sobrancelhas franzidas, os lábios cerrados, aos modos da criança trabalha com massas de modelar na pré-escola. Enquanto a Mulher Pequena certificava-se de que o óleo aromático versão canela era bem aquecido entre as palmas de suas mãos, Ele conservava a mesma posição e a mesma atitude inquieta e curiosa de bisbilhotá-la com os cantos do olhos. Então ela resolveu falar.

- O senhor pode fazer o favor de relaxar, ou seria pedir demais? Acredito que o senhor tenha compreendido que meu trabalho, além da massagem, engloba o relaxamento do corpo inteiro do cliente… in-tei-ro, ouviu bem? Feche os olhos.

Ele assentiu. Fechou os olhos. Permaneceu imóvel durante três minutos, contou mentalmente, 180 segundos.

Lambuzadas de óleo, as mãos dela foram de encontro às omoplatas dEle, chocando-se com estrondo de tapa úmido. Ajoelhou-se no colchão, avançou dois passos com os joelhos, ajoelhou-se sobre a grande bunda desprovida de pêlos que Ele ostentava em toda sua magnitude, deitado de costas.

Então Ele moveu a língua.

- Ligia. Ligia. Pare com isso. Pare com isso.

Ao que ela respondeu, debruçando-se, minúscula, sobre Ele, encostando a boca em sua orelha direita.

- Por favor, senhor, sou uma profissional. Se o senhor não colaborar com meu trabalho, serei obrigada a utilizar um grande pedaço daquela fita ali, ó, e coagi-lo a colaborar. Sejamos razoáveis.

Ele permaneceu quieto, e a Mulher Pequena retomou os serviços. Deslizava as mãos pela carne macia, revestida de gordura, do corpanzil dEle. Massageava, afundava os dedos em movimentos circulares, esfregava com vigor a pele branca do homem despido. Começou pela nuca, lentamente desceu até os ombros, pressionou com força à procura de nódulos, espalhados em cada centímetro quadrado daquelas costas enormes. Avançou até a cintura, na qual cravou as unhas e arranhou, até o início do rego dEle.

- Ligia. Devolva minhas roupas.

Ele moveu-se rapidamente, rodopiando a metade superior do corpo para poder encará-la. Ela ainda tinha as sobrancelhas franzidas, mas desta vez aos moldes de uma mãe que repreende o filho teimoso.

- Será assim? O senhor não respeitará as normas estritas que regem a constituição e respaldam a qualidade do meu trabalho?

- Ligia, chega.

- Mas o senhor pagou por uma massagem oriental que dura cerca de duas horas e meia!

- Ligia, por favor.

- Assim não é possível.

A Mulher Pequena levantou-se, desatou a rir, foi até a mesa, pegou o rolo de fita adesiva, procurou a ponta perdida da fita transparente, o avental encobria parcialmente seu corpo. Ela ria, sem parar. Desistiu da fita.

- Como você é sem graça!

- Realmente não encontro graça nesse tipo de infantilidade.

- Okei, okei. Me deixe cheirar os seus cabelos.

A Mulher Pequena aproxima-se, fica de pé, ao lado da cama. Ele, sentado, recebe em cheio no braço molengo o contato da pelve feminina, seu calor e seus pêlos. Ela enlaça-o pelo pescoço, Ele sente seu cheiro de sabonete, ela abaixa um tanto o rosto, escosta o nariz na massa espessa dos cabelos dEle.

- Camomila, mas você não lavou direito.

Ela abre a boca e finca os dentes no couro cabeludo do homem, que tenta repeli-la, não sem delicadeza. Como ela não alivia a pressão da mordida, Ele procura com os dedos os pentelhos dela; encontrando-os, puxa-os com força, arrancando alguns. Seu pau enrijece.

- Caralho! - Ela imediatamente solta a cabeça dele.

- Ligia.

- Seu filho da puta desgraçado! - Ela berra ao ouvido dEle, atirando-se em seu colo.

Ele procura, mais uma vez, os pentelhos da Mulher Pequena com os dedos, mas não os puxa. A Mulher Pequena, com a mão em concha, já livre de qualquer dor, afaga o saco dEle, suavemente.

- Uma vez minha mãe me disse que eu nunca aguentaria um homem em cima de mim. Vou perder a virgindade com um cara que pesa mais de 100 quilos.

[cortesia de a.a.m.]

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Anyway the wind blows

Abril 8, 2008 · Comments Off

Em uma linda tarde de domingo, sentados à beira do lago, enquanto os cavalos bebiam água e ruminavam capim, meu pai me olhou, compenetrado, e disse que já era hora de o seu filho começar a aprender uma ou duas coisinhas sobre a vida. Foi um momento esquisito, porque na verdade ele estava assistindo TV e tomando uma cerveja, e eu só cruzei com ele naquele dia porque estava com vontade de cagar, e o quarto de televisão ficava a caminho do banheiro.

Mas, afinal, parecia que ele tinha mesmo algo importante para me dizer (e também nem era como se estivesse passando Xou da Xuxa na TV ).

Meu pai, erguendo a cerveja, disse que a única maneira de se conquistar uma garota era sendo insistente, muito insistente. Mesmo depois de escutar um punhado de nãos, era importante continuar insistindo, até que se chegasse ao fim da conversa – e, caso esse fim não correspondesse ao imaginado por mim, era para eu continuar insistindo.

Esse me pareceu um conselho razoavelmente bom, mas, ainda assim, eu tinha de perguntar:

- Por quê?
- Porque as garotas são burras e costumam levar um bocado de tempo pra se convencerem do que realmente querem.

Seria bem possível e bastante inteligente fazer um punhado de considerações acerca desse conselho, mas o fato é que o meu pai só disse isso. Ser insistente. Ok, conselho ouvido, fui cagar - e, apesar de não estar tratando com garotas, devo dizer que fui muito insistente.

Algum tempo depois, meu pai disse também que, na lida com garotas, era muito importante não cultivar estas idéias de comportar-se como uma mocinha. Apesar de isso me parecer a coisa mais óbvia do mundo, achei que não custava nada repetir a pergunta:

- Por quê?
- Porque se elas estivessem atrás de amigas, teriam ido ao salão, certo, peregrino?

Ele não tinha o costume de citar John Wayne em seus conselhos, mas lembro muito bem de termos assistido “O Homem Que Matou o Facínora” umas trocentas vezes. Meu pai usava bigode, curtia Kung-Fu e filmes de bang-bang e sempre dizia que a coisa mais certa a se fazer era reagir aos assaltos: “manter-se sempre alerta e encher a fuça dos meliantes de porrada quando a oportunidade surgisse”.

Outra coisa que lembro de ele ter dito era que bater punheta faz o pinto crescer.

E, uma vez, depois que terminei 1º grau, ele me disse para nunca esquecer de que por trás não dá para fazer neném.

Minha mãe nunca foi muito de ficar me aconselhando, é uma garota mais ligada em alertas. Lembro bem da fase em que ela vivia repetindo que se eu continuasse investindo tanto tempo naquele negócio de pornografia, iria acabar enjoando da coisa antes de ter acesso ao produto real. Ela dizia tanto isso, que cheguei até a suspeitar de que era uma cantada.

Ela, diga-se de passagem, vivia numa neura de o seu filhote querido descambar para a viadagem. Uma vez, na feirinha do colégio, ela apontou uma garota, mais velha e com cara de safada, falou que a tal estava me olhando e me mandou ir até lá.

- Pegou o telefone dela?
- Não.
- Não? Por que não?
- Bom, porque você estava errada, muito errada.
- Mas… mas como? Ela estava praticamente com os olhos grudados nas suas calças!
- Não, não é bem isso, na verdade você estava enganada sobre a parte do “garota”.

Já a última namorada do meu pai é cheia dos conselhos. Ela vive me dizendo como cozinhar, limpar a bunda e quais filmes pornôs locar. Uma grande piada. E teve uma vez na qual ela disse que o mais importante, a grande chave de tudo, era sempre dizer à garota o que fazer. Eu entendi muito bem o que ela quis dizer, mas não consegui resistir à tentação de perguntar:

- Ah sim… e por quê?
- Caralho, Rafael! Porque você não é a porra de um viadinho, é?

[cortesia de a.a.m.]

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Conflito

Abril 2, 2008 · Comments Off

é

Aldo ganhou o primeiro beijo da menina de quem gostou. Foi amado. Ela escreveu lindas cartas para ele. Aprimorou a escrita escrevendo para Aldo.

Aldo foi sempre capitão do time de futebol da escola. E o primeiro da classe. Nunca tirou notas abaixo de 9,5. Aprendeu a utilizar o ponto e vírgula com grande facilidade.

Desenhava muito bem. Quando os colegas lhe pediam para que desenhasse mulheres peladas, ou até mesmo retratos de suas colegas nuas, atendia o pedido. Era cordial com todas, e a grande maioria se apaixonou por ele. Todas disputavam seu beijo no “verdade ou conseqüência”.

Aos treze anos, no dia 14 de Abril, ganhou uma fortuna com a cartela: 9, 12, 54, 75, 34, 22, 27. Administrou corretamente o dinheiro. Formou-se aos 16 anos e decidiu viajar pelo mundo. Sempre apoiado pelos pais, ficou durante quatros anos fora do país. Aprendeu três línguas. Em Singapura perdeu a virgindade com uma turista do Canadá. Ela teve diversos orgasmos, dos quais se lembraria para o resto da vida.

Aos 24 anos planejou um conjunto de rock. Mudou a história da música. Ficou famoso. Quando decidiu parar, os fotógrafos deixaram-no em paz. O seu terceiro disco é apontando como o mais importante da história do século XX.

Casou-se aos 31 anos. Uma festa para poucos convidados. Todos amigos. Não houve quem não felicitasse aquela união. Uma belíssima esposa. A família de Aldo, que já era unida, ficou inseparável.

Decidiu mudar de vida, estudou Direito. Aluno brilhante, logo conseguiu bons empregos. Defendeu diversas causas em diferentes lugares do mundo, principalmente na África.

Sua mulher o amava, gozava em média 9 vezes por semana (orgasmos múltiplos). Quando Aldo saía em viagem, ela chorava. Ele chorava também. Tiveram dois filhos saudáveis. Aldo não morre.

[cortesia de f.n.]

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