
Então, garotada, pode até parecer difícil de engolir, mas houve um tempo em que eu realmente acreditava em todo este conceito de amizade & afins. Que era bom para o meu caráter e personalidade e tudo mais. E, nessa época distante, é claro que eu tinha amigos… um montão deles, se querem mesmo saber.
Mas, pulando todo esse exercício de egocentrismo, o lance é que eu tinha um grupo de amigos. Que era, além de mim, uns quatro rapazinhos que passavam o dia inteiro pensando em sacanagem e futebol (e cultivavam o excelente hábito de resolver todos os problemas no videogame). Enfim, era como um daqueles grupinhos de amigos que andavam sempre juntos e gostavam de pensar que agiam como uma gangue de maloqueiros.
E, como todo grupo de amigos, a gente tinha uma rotina básica: roubar coisas no supermercado, jogar bola com os favelados, fumar maconha na caixa-d’água da pracinha, assistir filmes pornôs roubados dos pais e todas essas coisas. Mas, mais importante que tudo isso, a gente tinha a mania de enfernizar a vida das meninas (e, claro, não estou falando em enfernizar no sentido de cutucar incessantemente; é infernizar no sentido de constantemente tentar enfiar o meu pau no seu buraquinho). Sabe como é… todos os cinco estávamos sedentos por afirmar nossa masculinidade perante o mundo.
…e daí era muita punheta nos momentos de intimidade, e coitada da pirralha que virasse alvo para o resto do tempo.
Pois bem. Dentro desse contexto de super-modelos vadias e “vamos comer todo mundo”, tinha um garoto chamado Vinícius. E é claro que o Vinícius era 100% idêntico a qualquer outro do grupo… exceto por um detalhezinho: era ele quem morava ao lado da “tal vizinha”.
A situação, caso ainda não tenha dado para entender, era bem simples: nós éramos todos rapazes de mais-ou-menos quinze anos e tinha essa garota de mais-ou-menos dezesseis. E essa garota de mais-ou-menos dezesseis tinha essa mania de ficar se masturbando na sala, com as cortinas abertas. E nós, no auge dos nossos quinze, tínhamos essa mania de subir no telhado pra olhar a menina brincando com a periquita.
E, verdade seja dita, não é como se ela ficasse lá se exibindo, toda pervertida e tal. Ela morava no último andar do prédio e só era possível – em um raio de uns trezentos metros – ver sua janela de cima do telhado do prédio do Vinícius. Então, verdade-é-verdade, safada era a faxineira que deixava o alçapão aberto pra gente subir.
Daí que, de uma maneira bem resumida, essa garota da siririca era uma puta gostosa. Loirinha, magrinha, uns peitinhos durinhos e uma bunda do cacete!
E um detalhe engraçado é que o Vinícius (um garoto do tipo que batia punheta enquanto chamava a coelhinha do mês de vadia) não admitia que se falasse mal dela. Se neguinho ousasse dizer algo do gênero – “nossa, mas que puta vadia exibicionista…” – era perigoso despencar lá de cima. Ou, em outra palavras, estamos falando aqui do primeiro amor da vida do garoto-Vinícius. Aquela primeira garotinha safada que fez seu coração bater mais forte.
Mas voltando à história, depois de várias semanas espiando passivamente, alguém teve a incrível idéia de ligar para a garota. Subir com o telefone sem fio até o telhado e, bem na hora em que ela fosse gozar, tocar na casa dela. Daí, sem muita competência pra ter algo a dizer, ficávamos os cinco idiotas, rindo feito hienas na linha.
…até que chegou o dia no qual ela sacou tudo e parou de atender o telefone que insistia em tocar na hora H… mas não fechou a cortina. Muuuito pelo contrário… quem quer que andasse espiando, passou a ver coisas bem mais avançadas… coisas que envolviam consolos e dedadas no cu.
E foi mais ou menos nesse ponto que eu decidi que era hora de começar a me exibir também. Tipo como uma relação de reciprocidade mesmo. Todo empolgado com a idéia (mas ainda com muita vergonhazinha de mostrar a cara), eu deitei no telhado, tirei o pau pra fora e fiquei ali, tentando exibir o coitado por cima da mureta da laje. E não que eu possa garantir ter sido o caso, mas, se porventura alguém estava olhando para o telhado naquele dia, deve ter se rachado de rir ao ver aquele peruzinho caminhando só, como um bêbado sem o rumo de casa, pelo telhado do prédio do Vinícius.
E, daí pra frente, foram vááárias as vezes em que tentei exibir o meu pau pra tal garota.
…até que chegou o dia em que ela disse algo mais-ou-menos assim: “bem, agora que vocês já estão cansados de me ver pelada, acho que o mínimo de justiça é eu, agora, ver os paus de vocês”.
Porque não deve ter sido tão difícil pra ela descobrir quem eram os garotos que insistiam em subir todo dia ao telhado vizinho para vê-la se masturbar às três horas da tarde. E muito menos pra chegar puxando papo com a gente na rua e, depois de uns poucos dias, nos chamar pra subir e tomar um suco.
E é claro que, a essa altura, todos pensaram algo como: “porra rapaz!, essa menina tá querendo um gang-bang… gang-bang, doidão!, que nem nos filmes… o cu é meu, o cuuu!”. Menos, é claro, o Vinícius, que ponderadamente tentou nos convencer de que se tratava apenas de um suco mesmo.
No entanto, nenhuma das duas linhas de pensamento estava correta. No final das contas, o que ela queria, a princípio, era apenas ver as nossas pirocas. Pra, segundo ela, igualar a balança e tudo mais.
Então, primeiro eu (que, admito, estava super-louco pra mostrar meu pau) abaixei as calças e depois o outro e o outro e assim por diante. Até o ponto em que havia cinco garotos com as calças arriadas (e os caralhos devidamente eretos) diante daquela garota.
Aí ela abaixou as calças também.
E é claro que todos já havíamos visto aquela perereca antes; mas não tão de perto, não em todo aquele esplendor, não com o cheirinho e tudo mais… e dá-lhe pau duro.
Daí ela foi à cozinha e, de fato, trouxe o suco. E sentou e tomou seu copo de suco e disse que aquilo tudo era muuuito interessante. Disse que imaginava que nós teríamos paus menores, bem pequeninhos pra dizer a verdade – “porque sabe como é, olhando assim de longe, vocês realmente pareciam um bando de pirralhos tarados”.
E, nesse contexto, com o copo de suco já terminado, ela veio examinar os perus mais de perto. Pegou, apertou, olhou por todos os lados e escolheu o Leandro.
O Leandro era o negão da turma. Era meio abobado e tudo mais, falava embolado e raramente conseguia chamar a atenção. Além de ser inimaginavelmente feio. Mas, por mais que me doa admitir isso, ele era, de fato, o dono da maior piroca do recinto.
E, na frente dos outros quatro, ela fodeu com o Leandro por todos os lados e posições e flancos possíveis.
E depois de uma gozada histórica, dispensou os cinco dizendo que ia dormir um pouco.
Depois disso, eu já não lembro muito bem do que aconteceu. O que sei, de fato, é que ela passou a fechar a cortina e não havia mais porquê subir ao telhado. E que, algum tempo depois, eu comi ela. E suspeito que numa noite ou noutra cada um dos cinco tenha tido sua chance com a guria – mas também não é como se eu pudesse afirmar isso com toda a certeza.
Porque como toda turma adolescente normal, a gente foi se separando e perdendo o contato. Alguns se mudavam, outros se engajavam nas drogas e a gente foi deixando de se falar. E a última notícia que tive da vizinha foi que ela havia se mudado.
E, até onde eu costumava saber, era isso. Final da história. A tal vizinha era uma doce e inesquecível lembrança na cabeça daqueles cinco rapazes. A garota que entrou no meio da turma e nos transformou em homens.
Com toda a sinceridade do mundo, eu acreditava ser esse o final da história.
…até o dia em que fiquei sabendo – meio sem querer – que o Leandro tinha virado pai.
Pego o telefone e ligo pro puto pra conferir a história e adivinha o quê fico sabendo? Exatamente.
Sabe lá deus por quais caminhos as coisa se arranjaram… mas o novo final da história é que o Vinícius virou padrinho da filha do primeiro amorzinho de sua vida. E o Leandro é o orgulhoso marido da tal vizinha.
Só pra ficar bem exemplificado em que maldito sentido esse mundo gira.
[cortesia de a.a.m.]