Japoneses Preferem Bonecas

Me dá um soco na cara, relaxa e goza

Abril 30, 2009 · Comments Off

join_or_die2

 

No seu sonho mais recorrente, você desliga a televisão no meio da novela, veste um par de tênis de corrida, troca as calças do pijama por uma saia, pega o molho das chaves de casa e vai passear pela rua. Nesse sonho você é super-violentamente estuprada.

Você foi assaltada por 4 vezes em menos de uma década. Em nenhuma delas o ladrão sequer a olhou na cara, quem dirá cogitou rasgar sua blusa ou lhe dar um safanão na orelha. Nas 4 vezes, o mesmo tipo de abordagem: “não corre não corre ou eu te furo me dá o celular dá o dinheiro dá a bolsa blábláblá”, nunca “o que eu quero é o cuzinho” ou algo que o valha. Antigamente, você andava por aí com medo de cruzar com o Maníaco do Parque II ou com alguma versão atualizada do Bandido da Luz Vermelha, mas, agora, os tempos são outros. O miserê tá brabo mesmo, e estuprador que é esperto parou de estuprar pra afanar tenizinho e celularzinho do pessoal que marca bobeira pela rua.

Então, o máximo a que você consegue chegar é fazer um joguinho sexual aqui, outro ali, insinuando disfarçadamente que quer algo mais violento que uma dúzia de palmadas na bunda, dizendo aquele óbvio “não” quando a resposta obviamente é “sim”, se esquivando de beijinhos e abraços, empurrões e apertões… contestando com voz infantil o fato de ser amarrada à cama por 10 metros de corda sintética que lanham seus pulsos e tornozelos, reclamando de puxões de cabelo e mordidas de verdade nas partes mais sensíveis do seu corpo… carregando sempre a certeza de que não vai rolar soco na cara.

Uma vez você pediu um soco na cara, e o rapaz pensou que era piada. Pediu de novo, com a voz mais séria, aí ele se desconcertou tanto com a insistência, que parecia que quem tinha levado porrada era ele. Você desistiu, assim de primeira, de fazer pedidos esdrúxulos como esse, porque considerou que, ou fracassaria sempre ou esbarraria em alguém que aprovaria tanto a idéia, a ponto de lhe quebrar 3 dentes por trepada.

E, no fim das contas, o que você quer é ser estuprada sem precisar se insinuar pra ninguém, sem precisar pedir qualquer coisa a qualquer um, você quer simplesmente estar passeando pela rua, vestindo uma saia e um par de tênis de corrida coloridos e ser abocanhada pelo louco que realizará seu sonho mais recorrente, lhe arrastando à força pra dentro de um mato escuro e lhe fodendo com força (sua bucetinha mais molhada que o Pacífico), enquanto seus joelhos se rasgam sobre as raízes dos arbustos em volta.

 

[cortesia de a.a.m.]

Comments OffCategorias: costumes · pequenas estórias

Acontecimentos entre 31 de dezembro de 2008 e 01 de janeiro de 2009

Janeiro 16, 2009 · Comments Off

são benedito, o mouro

 

V. Exª., o Juiz de Fora, brindou com soda caústica ao invés de champagne. Viveu por 3 minutos em 2009.

Na antiga Rodésia, atual Zimbábue, um caçador disfarçado deu cabo do último leão do Parque Nacional, cuja efígie perpetuar-se-á nas notas de Z$ 100.000.000.

Os sem-teto de Rimini prontificaram-se a emprestar suas mantas aos banhistas de Ano Novo.

João de Lima percebeu que não tinha as vacinas em dia. Hipocondríaco, sucumbiu de aflição pouco antes da meia-noite.

De repente, fez-se silêncio, calaram-se todos e colei meu ouvido à parede:
- Francisca, São Benedito está entre nós esta noite.
- E de que maneira terá ele entrado no nosso quarto, poderás dizer-me?

O dono de um caffè em Troia (Puglia) quis aparecer no notíciário televisivo. Contratou 3 sem-teto de Rimini para que assaltassem o estabelecimento.

O Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome ficou feliz por estrear cuequinhas novas e por ter recebido um postal de Réveillon do Presidente.

Caiu a última cabeça condenada em 2008. Por pouco não chegou a 2009.

 

[cortesia de a.a.m.]

Comments OffCategorias: amor, paixão, dólares e afins · capitalismo selvagem · citações · costumes · creio em deus pai, todo poderoso · críticas · pequenas estórias

Amigos, velhos amigos

Dezembro 24, 2008 · Comments Off

estendal_da_vizinha

 

Então, garotada, pode até parecer difícil de engolir, mas houve um tempo em que eu realmente acreditava em todo este conceito de amizade & afins. Que era bom para o meu caráter e personalidade e tudo mais. E, nessa época distante, é claro que eu tinha amigos… um montão deles, se querem mesmo saber.

Mas, pulando todo esse exercício de egocentrismo, o lance é que eu tinha um grupo de amigos. Que era, além de mim, uns quatro rapazinhos que passavam o dia inteiro pensando em sacanagem e futebol (e cultivavam o excelente hábito de resolver todos os problemas no videogame). Enfim, era como um daqueles grupinhos de amigos que andavam sempre juntos e gostavam de pensar que agiam como uma gangue de maloqueiros.

E, como todo grupo de amigos, a gente tinha uma rotina básica: roubar coisas no supermercado, jogar bola com os favelados, fumar maconha na caixa-d’água da pracinha, assistir filmes pornôs roubados dos pais e todas essas coisas. Mas, mais importante que tudo isso, a gente tinha a mania de enfernizar a vida das meninas (e, claro, não estou falando em enfernizar no sentido de cutucar incessantemente; é infernizar no sentido de constantemente tentar enfiar o meu pau no seu buraquinho). Sabe como é… todos os cinco estávamos sedentos por afirmar nossa masculinidade perante o mundo.

…e daí era muita punheta nos momentos de intimidade, e coitada da pirralha que virasse alvo para o resto do tempo.

Pois bem. Dentro desse contexto de super-modelos vadias e “vamos comer todo mundo”, tinha um garoto chamado Vinícius. E é claro que o Vinícius era 100% idêntico a qualquer outro do grupo… exceto por um detalhezinho: era ele quem morava ao lado da “tal vizinha”.

A situação, caso ainda não tenha dado para entender, era bem simples: nós éramos todos rapazes de mais-ou-menos quinze anos e tinha essa garota de mais-ou-menos dezesseis. E essa garota de mais-ou-menos dezesseis tinha essa mania de ficar se masturbando na sala, com as cortinas abertas. E nós, no auge dos nossos quinze, tínhamos essa mania de subir no telhado pra olhar a menina brincando com a periquita.

E, verdade seja dita, não é como se ela ficasse lá se exibindo, toda pervertida e tal. Ela morava no último andar do prédio e só era possível – em um raio de uns trezentos metros – ver sua janela de cima do telhado do prédio do Vinícius. Então, verdade-é-verdade, safada era a faxineira que deixava o alçapão aberto pra gente subir.

Daí que, de uma maneira bem resumida, essa garota da siririca era uma puta gostosa. Loirinha, magrinha, uns peitinhos durinhos e uma bunda do cacete!

E um detalhe engraçado é que o Vinícius (um garoto do tipo que batia punheta enquanto chamava a coelhinha do mês de vadia) não admitia que se falasse mal dela. Se neguinho ousasse dizer algo do gênero – “nossa, mas que puta vadia exibicionista…” – era perigoso despencar lá de cima. Ou, em outra palavras, estamos falando aqui do primeiro amor da vida do garoto-Vinícius. Aquela primeira garotinha safada que fez seu coração bater mais forte.

Mas voltando à história, depois de várias semanas espiando passivamente, alguém teve a incrível idéia de ligar para a garota. Subir com o telefone sem fio até o telhado e, bem na hora em que ela fosse gozar, tocar na casa dela. Daí, sem muita competência pra ter algo a dizer, ficávamos os cinco idiotas, rindo feito hienas na linha.

…até que chegou o dia no qual ela sacou tudo e parou de atender o telefone que insistia em tocar na hora H… mas não fechou a cortina. Muuuito pelo contrário… quem quer que andasse espiando, passou a ver coisas bem mais avançadas… coisas que envolviam consolos e dedadas no cu.

E foi mais ou menos nesse ponto que eu decidi que era hora de começar a me exibir também. Tipo como uma relação de reciprocidade mesmo. Todo empolgado com a idéia (mas ainda com muita vergonhazinha de mostrar a cara), eu deitei no telhado, tirei o pau pra fora e fiquei ali, tentando exibir o coitado por cima da mureta da laje. E não que eu possa garantir ter sido o caso, mas, se porventura alguém estava olhando para o telhado naquele dia, deve ter se rachado de rir ao ver aquele peruzinho caminhando só, como um bêbado sem o rumo de casa, pelo telhado do prédio do Vinícius.

E, daí pra frente, foram vááárias as vezes em que tentei exibir o meu pau pra tal garota.

…até que chegou o dia em que ela disse algo mais-ou-menos assim: “bem, agora que vocês já estão cansados de me ver pelada, acho que o mínimo de justiça é eu, agora, ver os paus de vocês”.

Porque não deve ter sido tão difícil pra ela descobrir quem eram os garotos que insistiam em subir todo dia ao telhado vizinho para vê-la se masturbar às três horas da tarde. E muito menos pra chegar puxando papo com a gente na rua e, depois de uns poucos dias, nos chamar pra subir e tomar um suco.

E é claro que, a essa altura, todos pensaram algo como: “porra rapaz!, essa menina tá querendo um gang-bang… gang-bang, doidão!, que nem nos filmes… o cu é meu, o cuuu!”. Menos, é claro, o Vinícius, que ponderadamente tentou nos convencer de que se tratava apenas de um suco mesmo.

No entanto, nenhuma das duas linhas de pensamento estava correta. No final das contas, o que ela queria, a princípio, era apenas ver as nossas pirocas. Pra, segundo ela, igualar a balança e tudo mais.

Então, primeiro eu (que, admito, estava super-louco pra mostrar meu pau) abaixei as calças e depois o outro e o outro e assim por diante. Até o ponto em que havia cinco garotos com as calças arriadas (e os caralhos devidamente eretos) diante daquela garota.

Aí ela abaixou as calças também.

E é claro que todos já havíamos visto aquela perereca antes; mas não tão de perto, não em todo aquele esplendor, não com o cheirinho e tudo mais… e dá-lhe pau duro.

Daí ela foi à cozinha e, de fato, trouxe o suco. E sentou e tomou seu copo de suco e disse que aquilo tudo era muuuito interessante. Disse que imaginava que nós teríamos paus menores, bem pequeninhos pra dizer a verdade – “porque sabe como é, olhando assim de longe, vocês realmente pareciam um bando de pirralhos tarados”.

E, nesse contexto, com o copo de suco já terminado, ela veio examinar os perus mais de perto. Pegou, apertou, olhou por todos os lados e escolheu o Leandro.

O Leandro era o negão da turma. Era meio abobado e tudo mais, falava embolado e raramente conseguia chamar a atenção. Além de ser inimaginavelmente feio. Mas, por mais que me doa admitir isso, ele era, de fato, o dono da maior piroca do recinto.

E, na frente dos outros quatro, ela fodeu com o Leandro por todos os lados e posições e flancos possíveis.

E depois de uma gozada histórica, dispensou os cinco dizendo que ia dormir um pouco.

Depois disso, eu já não lembro muito bem do que aconteceu. O que sei, de fato, é que ela passou a fechar a cortina e não havia mais porquê subir ao telhado. E que, algum tempo depois, eu comi ela. E suspeito que numa noite ou noutra cada um dos cinco tenha tido sua chance com a guria – mas também não é como se eu pudesse afirmar isso com toda a certeza.

Porque como toda turma adolescente normal, a gente foi se separando e perdendo o contato. Alguns se mudavam, outros se engajavam nas drogas e a gente foi deixando de se falar. E a última notícia que tive da vizinha foi que ela havia se mudado.

E, até onde eu costumava saber, era isso. Final da história. A tal vizinha era uma doce e inesquecível lembrança na cabeça daqueles cinco rapazes. A garota que entrou no meio da turma e nos transformou em homens.

Com toda a sinceridade do mundo, eu acreditava ser esse o final da história.

…até o dia em que fiquei sabendo – meio sem querer – que o Leandro tinha virado pai.

Pego o telefone e ligo pro puto pra conferir a história e adivinha o quê fico sabendo? Exatamente.

Sabe lá deus por quais caminhos as coisa se arranjaram… mas o novo final da história é que o Vinícius virou padrinho da filha do primeiro amorzinho de sua vida. E o Leandro é o orgulhoso marido da tal vizinha.

Só pra ficar bem exemplificado em que maldito sentido esse mundo gira.

 

[cortesia de a.a.m.]

Comments OffCategorias: amor, paixão, dólares e afins · costumes · pequenas estórias
Etiquetado: , , , , , , , , , , ,

Um crime em verde mulher

Novembro 12, 2008 · Comments Off

Eu liguei para ela e disse “aparece lá pra segurar meus óculos na hora da briga”. No elevador pensei no dêitico. Peguei a moto. Faltavam três minutos pra ambulância das 6 e meia. Ouvi o barulho e segui atrás dela. A ambulância abria caminho entre os carros e quase bateu num ônibus que não separou espaço. Comi fumaça, mas cheguei a tempo.

Ele estava sentado, comendo salada de frutas. Eu:

- Ah, safado, espere ela chegar – falei, empurrando um – , porque vou quebrar sua cara.
- Do que você está falando?
- Você não é meu inimigo?
- Todos me confundem – e tacou mais uma colherada, com abacaxi e morango –, mas desculpe, foi engano.
- Opa, eu que peço desculpas… estou sem jeito.

Dei dois passos pra trás, apertei a mão do diabo que empurrei e disse pra deus iluminar vosso caminho.

- Ele vai iluminar – falou, de boca cheia, o caro da salada de frutas, com abacate e óleo vegetal.

Voltei pra casa, acompanhando a ambulância das 7 e sete. Quando estava entrando no elevador, o celular tocou. Era ela:

- Cadê você?!
- Não era ele.

Ela nem ouviu…

- Estou aqui esperando você faz horas!
- Não era ele.

E não era.

 

[cortesia de f.n.]

Comments OffCategorias: costumes · creio em deus pai, todo poderoso
Etiquetado: , , , , , ,

Fausto

Outubro 27, 2008 · Comments Off

Depois de percorrer toda a prateleira do conhecimento, deambular entre experiências com drosófilas, especular no mercado financeiro e aprender capoeira, Fausto cansou. Estava desiludido com o conhecimento de sua época.

Para combater o problema, e porque não era muito inventivo, telefonou para o 102 e procurou encontrar com a telefonista o número do Mefistófeles. Fausto anotou num post-it o número cheio de meias-dúzias. Ligou, e por pouco não marcou, sem querer, um horário para fazer uma tatuagem.

Estava arrasado, só podia caminhar e lamentar-se. Vestiu uma bela casaca escura e partiu rumo a uma ponte, onde costumava meditar. No caminho, deparou-se com cinco crianças que, sentadas em círculo, brincavam de jogo do copo. Sem motivo, parou para assistir tal evento. Elas diziam dúzias de palavras pra frente e pra trás; davam-se as mãos e, quando começaram a questionar o copo, nosso amigo Fausto deu um pulo no meio do círculo e bradou:

– Ajudem-me.

Fausto não disse por que queria a ajuda, mas pagou-lhes caro, pois tudo aconteceu na Grande Depressão da Bala-de-Goma.

As crianças repetiam palavras, faziam bola, diziam-nas pra trás, plof, e, a despeito do discurso adocicado, tudo ocorreu bem: Mefistófeles apareceu. Os meninos, conforme o combinado, levantaram e foram embora.

– O que deseja? – perguntou o demônio.
– Ah, pare com isso – respondeu Fausto – , essa história é velha, não se faça de sonso, vamos logo pro que interessa.
– Meu chapinha – e Mefistófeles passou um braço em torno de Fausto –, a vida não é assim, não. Há burocracias retóricas.

Fausto não sabia, mas estava preparado para esse imprevisto. Puxou da algibeira um estilingue (”Foi do Davi, por isso que é caro… artigo de luxo, 10 real…”, falou o dono do antiquário). Onde paramos? Ah, Fausto estava preparado para o imprevisto, e iluminado por um novo conhecimento, sacou seu estilingue e disse:

– Passa, passa, ae malandro, não quero saber de porra de pacto, isso é um assalto!

 

[cortesia de f.n.]

Comments OffCategorias: pequenas estórias
Etiquetado: , , , , , ,