Japoneses Preferem Bonecas

Entradas do Fevereiro 2008

Nas suas mãos

Fevereiro 28, 2008 · Comments Off

quiromancia

“Eu leio sua mão?”, veio a cigana, interrompendo meu passo.
“É mesmo?”, respondi, sem querer.
“Sim, 5 reais.”, [um amigo sempre me alertou que estas ciganas roubam carteiras. Por precaução dei uma batidinha na bunda. Estava lá...]
“Por quanto tempo?”, perguntei como quem pergunta pruma prostituta.
“O tempo pra ler sua mão.”
“E se ela for complicado?”
“5 reais, quer?”, falou a cigana, impaciente.
“Assim, lê a dela primeiro.” Apontei a cigana que a acompanhava. “Quero ver seu trabalho antes.”
“Mas isso custa cinco reais.”
“Tudo bem, pago a leitura da mão dela, se eu gostar, pago a minha.”
As duas se olharam, me expulsaram com um palavrão, o qual não pude entender, mas palavrão é universal, como diria meu irmão.

[cortesia f.n.]

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Herói

Fevereiro 28, 2008 · Comments Off

liga da justiça

No campo, a casa da Sra. H pega fogo em plena tarde. O motivo do incêndio é irrelevante, mas a tentativa de salvamento de sua pequena filha se concentra nas portas dos fundos, visto que a entrada, além da fumaça espargida – que, ao menos, alertou o povoado –, concentra um fogo maciço. Os empregados de Sra. H vieram de seus postos correndo, trazendo suas ferramentas de trabalho, foices, machados e até um trator.

Eu fui o único que não preferiu ficar parado ali, olhando o espetáculo (é, havia aqueles que, como moscas, eram atraídos num vai-e-vem pela luz amarela). Fechei a capa preta que vestia e entrei. Caminhei pelos quartos – errante, é verdade – e encontrei o quarto onde estava Mary. Pequenina. Chorosa. Aliviou-se em me ver, eu acho. Peguei-a no colo e carreguei-a. Ninguém viu. Nem mesmo Sra. H, que – parada e com os olhos fixos (de atravessar paredes), respondeu com choro desumano quando parte da casa desabou. Embora tenha saído pelas portas dos fundos, não fui aplaudido.

[cortesia f.n.s.]

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Separação do Céu e do Inferno (fuxico com Willian Blake)

Fevereiro 28, 2008 · Comments Off

Espero que sua boca esteja boa, que abelha nenhuma tenha feito colméia nela. É sempre uma preocupação minha, ou mesmo que sua boca tenha se tornado casa do diabo. Ele adora coisas vazias. Ele invade, toma pra si – na maior - e diz, na corte, depois: “Usucapião! É minha!”. E desce as escadas da saída, satisfeito com mais uma aquisição.

De tantos efeitos especiais, o temor do inferno e do céu ficaram aquém às megalomanias dos efeitos especiais do cinema. É certo que os padres medievais eram dotados dessa mesma lábia visual: oralmente, pintavam quadros mais terríveis que os últimos lançamentos de Blockbuster.

[cortesia de f.n.]

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Post-it no pára-brisa de um carro importado

Fevereiro 18, 2008 · Comments Off

he rocks’n

“Caro Steven Spielberg,

Desde o momento em que eu te vi (há alguns minutos atrás),
até hoje, não tiro os olhos de você.
Você é melhor que o meu carro
e se você ficar comigo, eu não vou para Nova Iorque.
Só mais tarde.
Me dê uma resposta até a meia-noite
e me encontre na minha casa.
Te pego às oito.”

[cortesia de a.a.m.]

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A Teoria do Legal (ou “no comments”)

Fevereiro 4, 2008 · Comments Off

legal

Melhor, melhor mesmo: é a Teoria do Legal. Uma teoria justa e edificante para com a nossa - falta de cérebro, ou de saco, ou tempo, ou de tudo. Um ponto importante: como toda Teoria relevante, séria, ela não é engraçada, portanto: não tente encontrar espaço pro riso, pra sacadinha amiga [sacou?].

Por que não falamos, não comentamos, não criticamos nada? Burrice é um dos motivos, dos dois lados, leitor apressado [calma]. Do lado de quem escreveu o texto e de quem o lê.

Leia 3 mil páginas por dia, assim você dará conta – se vai! – de todas as obras monumentais. Em seguida, faça uma crítica do que estou falando. E? E de nada vai servir. Por quê? Porque você não fará a crítica. E por outras razões. Uma delas é: um gosto refinado demais para ler isto [não que eu tenha algo contra isso; pelo contrário! Estou apenas mostrando um fato.] As conseqüências são sérias. Se são! A saída, no entanto, simples. Dizer o que, em síntese, queremos dizer: “Legal.”

Ora, chega deste: “fazendo que não viu”, chega de ficarmos quietos! Sejamos interacionistas! Mostremos-nos abertos! Ligados! Não pense “… que merda!…” do texto alheio! Não mais, não mais! Onde chegaremos com tanto ataque?

Antes não falávamos nada não só porque não queríamos perder o amigo com uma crítica [cheias de aforismos e citações a partir de nossa fraca inferência e interpretação & leitura, não obstante sincera], não só porque somos preguiçosos e não queremos ler as coisas dos outros [às vezes, eu sei, são páginas e páginas], não só porque sempre temos mais o que fazer. Não só. Enfim, pulemos essa Idade das Trevas!

Acontece, eu sei, de gostarmos do que Fulano escreveu [não acontece?] e parece que temos de recorrer a uma crítica acompanhada de um “desculpa se estou lhe machucando”. E jamais, em hipótese nenhuma a comparação: “Seu texto parece”. Ou lembrança: “Seu texto lembra o da”. Não. Alcancemos a síntese. A gentileza moral: “Seu poema? Legal.”

(Agora olhe pra mim… diga: foi ou não foi melhor para todos?)

[cortesia de f.n.]

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