No campo, a casa da Sra. H pega fogo em plena tarde. O motivo do incêndio é irrelevante, mas a tentativa de salvamento de sua pequena filha se concentra nas portas dos fundos, visto que a entrada, além da fumaça espargida – que, ao menos, alertou o povoado –, concentra um fogo maciço. Os empregados de Sra. H vieram de seus postos correndo, trazendo suas ferramentas de trabalho, foices, machados e até um trator.
Eu fui o único que não preferiu ficar parado ali, olhando o espetáculo (é, havia aqueles que, como moscas, eram atraídos num vai-e-vem pela luz amarela). Fechei a capa preta que vestia e entrei. Caminhei pelos quartos – errante, é verdade – e encontrei o quarto onde estava Mary. Pequenina. Chorosa. Aliviou-se em me ver, eu acho. Peguei-a no colo e carreguei-a. Ninguém viu. Nem mesmo Sra. H, que – parada e com os olhos fixos (de atravessar paredes), respondeu com choro desumano quando parte da casa desabou. Embora tenha saído pelas portas dos fundos, não fui aplaudido.
[cortesia f.n.s.]