Japoneses Preferem Bonecas

- Oooi… ele é seu? (sorriso)

Março 6, 2008 · Não Há Comentários

tal pai, tal filho

Nos álbuns de família daqui de casa são poucas as fotografias em que meus irmãos ou eu ou ambos aparecemos no colo do nosso pai. Nos álbuns de mesma espécie existentes nas casas da minha avó e das minhas tias, a situação é semelhante: quase nunca se encontram fotografias em que o patriarca-mor (meu avô) ou qualquer um dos patriarcas menores (meus tios) aparecem posando ao lado da molecada da família. É sempre a mulherada que aparece com os pirralhos, na rua, na chuva e na fazenda, bem como na praia, na escola e nas festas de aniversário.

Fazendo uma retrospectiva, posso afirmar que, nos últimos anos, o número de pais que, muito prestativamente, levam seus filhotes à pediatra, ou àquela dentista gostosa, ou ao parque aos domingos pela tarde, aumentou vertiginosamente. Aqui mesmo, no lugar onde vivo, presencio as doces brincadeiras e as suaves conversas recheadas de sorrisinhos sacanas entre as clássicas mamis e os renovadores papis que acompanham seus pestinhas ao playground.

Dessa maneira, chego à conclusão de que os homens continuam muito mais espertos (eu não disse inteligentes, esperteza é equivalente à malandragem) que as conservadoras mulheres.

É só parar pra ver: dignas mamães carregam seus bebês no colo desafiando as leis da física, fazendo aquela força descomunal: porque qualquer bebê que se preze pesa bem uns dois sacos de 5kg de arroz. A essas alturas, seus vestidos já estão completamente amassados, babados, repletos de farelos e pequenas manchas de sorvete ou golfadas acres liberadas durantes os infantis arrotos. Há que se considerar toda essa situação durante o verão, principalmente. Pobres mulheres suadas: a maquiagem derretida escorre rosto abaixo, e elas continuam impassíveis, tomando conta de seus filhinhos, os cabelos desgrenhados, aquela fralda suja de ranho pendurada no ombro esquerdo e a bolsa térmica gigantesca, com 3 mamadeiras diferentes, no direito.

Já no caso dos papais… a tal bolsona nem parece tão grande segurada por suas enormes mãos peludas de dedos fortes. A camisa pólo permanece intacta, graças a uma estratégia masculina para segurar bebês que consiste em tocá-los o mínimo possível: mantendo seus lindos rostinhos voltados ao encantado público encantador de solteiras loucas por “segurar um pouquinho aquela coisinha fofa”… sem contar que a criança faz com que o cara pareça muito mais forte do que realmente é… além de mais sensível, responsável, companheiro, etc.

E tem outra coisa. Quem vai discordar de que homens acompanhados de crianças pequenas são as criaturas mais frágeis da face da Terra? Até mais que os malditos pentelhos que desfrutam do calor de seus másculos regaços.

Enfim, é basicamente isso mesmo, amigo. A maneira mais acertada, hoje em dia, de flechar corações de mulheres bonitas e simpáticas é levar seu bebê a passear. E o melhor: ele nem precisa ser seu, de verdade. Para isso criou-se o sistema de a-p-a-d-r-i-n-h-a-m-e-n-t-o. É simples: passa-se em uma casa-lar, repleta de pequenos infantes, apadrinha-se o mais bonitinho e leva-se o dito cujo à sorveteria no sábado pela tarde. É batata. Você consegue arrecadar, de início, ao menos uns 5 telefones diferentes. E, se facilitar, vai ter gente até querendo pagar a conta do pequeno…

E assim, é possível que no futuro os álbuns de família tenham mais fotografias de papais carinhosos que de mamães enlouquecidas. Ou até mesmo de homens grávidos – o que não seria uma má idéia.

[cortesia de a.a.m.]

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