Quando os ambientalistas e cientistas chegaram a um acordo, foi o momento em que o deputado declarou que os restaurantes não poderiam mais lançar no ar o “seu cheiro espesso de gordura.” No dia seguinte, ele sorriu pros colegas e olhou pro futuro, conseguira a adesão da maioria e foi instaurada a lei.
Alguns gordos foram presos na mesma tarde. O policial esclareceu na entrevista [que virou febre no youtube] que os tinha prendido, pois, de acordo com a nova lei, eles estavam poluindo o ar: “Suando, pô, suando!”, falou ao repórter, “… eu senti o cheiro da gordura e autuei na hora.”
Nosso policial entendera errada a nova medida do governo, é claro; mas um homem comum, como ele, também é acometido, sem querer, por pequenas descobertas, das quais pode não ter consciência; em contrapartida, foi o eureca para o nosso deputado, que aproveitou a deixa e conseguiu criar, naquela noite, uma nova lei, a qual não demorou pra ser aprovada no plenário: os gordos estavam proibidos de correr.
A medida, falou o deputado, não era excludente, os gordos poderiam caminhar, mas devagar. Para tanto, a polícia rodoviária incrementou-se e adotou o limite de velocidade pra pessoas acima do peso. Em menos de um mês, a cidade sabia quem era e quem não era gordo, através de um cálculo simples de altura e massa. Paralelo a isso, um aparato foi então organizado em prol da nova medida: auto-escola para caminhar: carteiras de trânsito para gordos: pontos na carteira, etc..
A seventeen ajeitou-se para foto. O fotógrafo aconselhou-a que tomasse cuidado com a depilação das axilas. Pediu que se curvasse um pouco e disparou dois tirou. Acendeu o cigarro e vendeu o corpo para um grupo pró-gordo, o qual estudava maneiras de ressuscitar e teletranspotar almas.
[cortesia f.n.]