Em uma linda tarde de domingo, sentados à beira do lago, enquanto os cavalos bebiam água e ruminavam capim, meu pai me olhou, compenetrado, e disse que já era hora de o seu filho começar a aprender uma ou duas coisinhas sobre a vida. Foi um momento esquisito, porque na verdade ele estava assistindo TV e tomando uma cerveja, e eu só cruzei com ele naquele dia porque estava com vontade de cagar, e o quarto de televisão ficava a caminho do banheiro.
Mas, afinal, parecia que ele tinha mesmo algo importante para me dizer (e também nem era como se estivesse passando Xou da Xuxa na TV ).
Meu pai, erguendo a cerveja, disse que a única maneira de se conquistar uma garota era sendo insistente, muito insistente. Mesmo depois de escutar um punhado de nãos, era importante continuar insistindo, até que se chegasse ao fim da conversa – e, caso esse fim não correspondesse ao imaginado por mim, era para eu continuar insistindo.
Esse me pareceu um conselho razoavelmente bom, mas, ainda assim, eu tinha de perguntar:
- Por quê?
- Porque as garotas são burras e costumam levar um bocado de tempo pra se convencerem do que realmente querem.
Seria bem possível e bastante inteligente fazer um punhado de considerações acerca desse conselho, mas o fato é que o meu pai só disse isso. Ser insistente. Ok, conselho ouvido, fui cagar - e, apesar de não estar tratando com garotas, devo dizer que fui muito insistente.
Algum tempo depois, meu pai disse também que, na lida com garotas, era muito importante não cultivar estas idéias de comportar-se como uma mocinha. Apesar de isso me parecer a coisa mais óbvia do mundo, achei que não custava nada repetir a pergunta:
- Por quê?
- Porque se elas estivessem atrás de amigas, teriam ido ao salão, certo, peregrino?
Ele não tinha o costume de citar John Wayne em seus conselhos, mas lembro muito bem de termos assistido “O Homem Que Matou o Facínora” umas trocentas vezes. Meu pai usava bigode, curtia Kung-Fu e filmes de bang-bang e sempre dizia que a coisa mais certa a se fazer era reagir aos assaltos: “manter-se sempre alerta e encher a fuça dos meliantes de porrada quando a oportunidade surgisse”.
Outra coisa que lembro de ele ter dito era que bater punheta faz o pinto crescer.
E, uma vez, depois que terminei 1º grau, ele me disse para nunca esquecer de que por trás não dá para fazer neném.
Minha mãe nunca foi muito de ficar me aconselhando, é uma garota mais ligada em alertas. Lembro bem da fase em que ela vivia repetindo que se eu continuasse investindo tanto tempo naquele negócio de pornografia, iria acabar enjoando da coisa antes de ter acesso ao produto real. Ela dizia tanto isso, que cheguei até a suspeitar de que era uma cantada.
Ela, diga-se de passagem, vivia numa neura de o seu filhote querido descambar para a viadagem. Uma vez, na feirinha do colégio, ela apontou uma garota, mais velha e com cara de safada, falou que a tal estava me olhando e me mandou ir até lá.
- Pegou o telefone dela?
- Não.
- Não? Por que não?
- Bom, porque você estava errada, muito errada.
- Mas… mas como? Ela estava praticamente com os olhos grudados nas suas calças!
- Não, não é bem isso, na verdade você estava enganada sobre a parte do “garota”.
Já a última namorada do meu pai é cheia dos conselhos. Ela vive me dizendo como cozinhar, limpar a bunda e quais filmes pornôs locar. Uma grande piada. E teve uma vez na qual ela disse que o mais importante, a grande chave de tudo, era sempre dizer à garota o que fazer. Eu entendi muito bem o que ela quis dizer, mas não consegui resistir à tentação de perguntar:
- Ah sim… e por quê?
- Caralho, Rafael! Porque você não é a porra de um viadinho, é?
[cortesia de a.a.m.]
