Japoneses Preferem Bonecas

Apólogo

Junho 5, 2008 · Deixe um comentário

 

 

O tempo mais feliz foi aquele em que comia puta. Minha esposa me irrita. E incomoda na cama porque gozo rápido. Mas isso é costume, comi puta demais. Comia puta porque era bom. Bom gozar e jogar conversa fora. Não acontece com minha mulher. Com puta era assim, comia, relaxava, e depois falava de literatura. Não que ir à puta e foder fosse desculpa pra falar de literatura. Mas, se eu afirmasse que esse também não era um dos motivos, mentiria. Divertido constatar que elas eram mais inteligentes que minhas colegas de lingüística da graduação ao doutorado. E eu aprendi muito. Resumir uma história (seu conflito, nó, peripécia) não é pra qualquer um, e, depois de uma foda, muito menos. Sem falar o tempo marcado, porque puta que é puta tem tempo marcado. E a ansiedade aumenta porque eu queria ouvir o comentário, hora mais importante. Quer entender Milton? Leva pra puta. Quer subtrair sentido dos contos de Dickens? Das peças de Eurípides? Assim como Godot só foi entendido depois de ser encenado num presídio, é a literatura na mão de uma puta.

 

[cortesia de f.n.]

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